Tamanduá-bandeira é capturado na Rua dos Paulistas
Animal está na lista de extinção e foi enviado ao Zôo de São José do Rio Pardo
Tadeu Ligabue

Tamanduá foi encontrado em um terreno pertencente à Metal Laje. Animal foi capturado pela Polícia Ambiental juntamente com a Guarda Municipal

No meio de um milharal, no final da rua dos Paulistas, ao lado do Jd. Paraíso II, em um terreno pertencente à Metal Laje. Foi lá que um tamanduá- bandeira foi se esconder. De onde veio é uma incógnita, já que o animal está classificado como em via de extinção e sua ocorrência é muito rara na região. Alguns palpitam que ele pode ter vindo por uma restinga que existe nas margens do Rio Verde à procura de comida, pois seu habitat, o cerrado, está sendo destruído.
Também pode ter sido acuado por cães e na fuga, subido por uma pequena mata existente na propriedade de dona Leni Carril, até chegar ao terreno onde dona Aparecida R. Malaquias, que mora no Jd. Paraíso II, planta milho. Foi lá, na manhã de quinta-feira, que ela avistou o bicho. Ela contou à reportagem que como faz

sempre, foi dar uma espiada no local e viu um bicho esquisito, não sabendo o que era. Mais que depressa, foi avisar o marido, seu Sebastião Ribeiro Nascimento, que ao ver o mesmo disse ser um tamanduá.
Era por volta das 10h, quando ligaram para a Guarda Municipal e esta foi até o local onde também esteve presente o veterinário Alessandro, que após fazer uma avaliação visual do animal, constatou que o mesmo estava somente um pouco estressado. Os guardas Muniz e Maurício ligaram para o chefe de gabinete, Celso Bruno informando o que estava ocorrendo e foi acionada a Polícia Ambiental de São João da Boa Vista, que por sua vez acionou a Polícia Ambiental de Casa Branca, que estava mais próxima para atender a ocorrência.
Passavam das 13h, várias pessoas já se juntavam no local quando apareceram duas viaturas da Polícia Ambiental, juntamente com o sargento Facci e os soldados Carneiro e De Souza. Munidos de redes, começaram as tentativas de capturar o animal. A tarefa não foi tão difícil, os guardas municipais colaboraram e logo o tamanduá-bandeira estava se enroscando na rede e sendo transferido para uma gaiola. Todos tomaram o devido cuidado para não machucar o bicho e também para não se ferirem, pois as garras do tamanduá são conhecidas pelo estrago que fazem.
Até o prefeito Amarildo Duzi Moraes passou pelo local. Um animal raro de se encontrar, Amarildo disse que lembrava de um tamanduá deste acuado por um cão, isso há muitos anos atrás. O local era em um sítio, nos campos que circundavam a cidade. Lembra de seu pai presente naquele episódio e que naquela época, era comum lobo, tatu e até tamanduá nos nossos cerrados.
Após ser capturado e colocado na carroceria da viatura, os policiais ligaram para o zoológico de São José do Rio Pardo, onde os biólogos têm autorização do Ibama para fazer a avaliação do animal, que estando bem, depois de uns dias de adaptação, provavelmente seria solto no seu habitat. “Uma região mais isolada para não ser incomodado”, disse o sargento Facci, para quem são raríssimas as ocorrências de tamanduá-bandeira na região. “O que aparece é o tamanduá-mirim, bem menor que este”, afirmou.
Falando ao jornal, o sargento disse da importância da população avisar a Guarda Municipal ou a Polícia Ambiental quando aparecem animais silvestres na cidade, pois eles podem ser capturados e devolvidos ao meio ambiente. Dona Aparecida também ficou satisfeita com o desfecho do caso e o procedimento tanto dos policiais ambientais, quanto dos guardas municipais. Para ela, foi bom ver o bichinho ser capturado, não sair ferido e ser devolvido ao seu habitat.

Dados sobre o tamanduá-bandeira
Ordem: Xenarthra
Família: Myrmecophagidae
Nome popular: Tamanduá-bandeira
Nome científico: Myrmecophaga tridactyla
Distribuição geográfica: América Central e América do Sul
Habitat: Campos e cerrados
Hábitos alimentares: Insetívoro
Reprodução: Gestação de 190 dias
Período de vida: Aproximadamente 15 anos
Fonte: www.cpap.embrapa.br

Espécie ameaçada de extinção
Os tamanduás, juntamente com os tatus e os preguiças pertencem à Ordem Xenarthra, que significa “articulação diferente”. Os tamanduás são os únicos mamíferos que não possuem dentes, enquanto que seus “parentes” tatus e preguiças possuem dentes incompletos, sem a presença de esmalte. Animais adultos podem pesar até 60kg e medir 1,2 m mais a cauda de quase 1,0 m. Apresentam uma coloração acinzentada, com faixas diagonais pretas com as bordas brancas.
Suas características mais marcantes são o focinho longo e fino e a cauda em forma de bandeira, o que lhe conferiu o nome comum. Possuem hábitos crepusculares e solitários, sendo que os casais encontram-se somente na época do período reprodutivo. Possuem garras muito desenvolvidas nas patas dianteiras, que servem para destruir cupinzeiros, sua principal fonte de alimentação. Estima-se que um animal adulto se alimenta de aproximadamente 35000 insetos por dia.
Em cativeiro, os animais recebem uma “papa” a base de leite de soja, ração de cachorro, carne moída, ovos cozidos, frutas e complementos vitamínicos e minerais. Cupins são oferecidos sempre que possível. O tamanduá-bandeira está ameaçado de extinção, uma vez que ocupa o cerrado, um dos ecossistemas mais vulneráveis.
 
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